Expresso curto ou longo: qual tem mais cafeína?
O longo, por pouco. E o ristretto, o mais curto dos três, tem menos. Ristretto, expresso e longo saem da mesma dose de café moído: o que muda é só a quantidade de água que passa pelo pó. Quando pesquisadores tiraram os três tamanhos das mesmas cápsulas Nespresso (dois blends, em três máquinas), o ristretto teve em média 51 mg de cafeína, e o expresso e o longo, 66 mg cada (Desbrow e colegas, Nutrition and Health, 2019). Já o café carioca, que costuma ser um expresso completado com água quente, tem exatamente a cafeína desse expresso.
Ou seja: o formato com gosto mais forte é justamente o que tem menos cafeína.
Antes de seguir, vale combinar os nomes, porque “curto” tem dois usos. Na padaria e em muitos glossários de café, “café curto” é o próprio expresso. Em alguns cardápios de cafeteria, porém, o “espresso curto” é o ristretto, também chamado de “curtíssimo”: a mesma dose de pó, com menos água. Neste texto, “o curto” é sempre o ristretto, e “o expresso” é o normal.
| O que você pede | Como é feito | Cafeína |
|---|---|---|
| Ristretto (o “espresso curto” de alguns cardápios) | mesma dose de pó, menos água | menos que o expresso |
| Expresso (o “curto” da padaria) | uma dose de pó | 70 mg, a referência do CaffIQ |
| Expresso longo | mesma dose, mais água passando pelo pó | igual ao expresso ou um pouco mais |
| Café carioca | em geral, expresso + água quente | 70 mg, igual ao expresso |
Os 70 mg são a referência do CaffIQ para uma dose de expresso. Na vida real, as medições variam muito de uma cafeteria para outra, e essa variação pesa bem mais que o tamanho, como você vai ver abaixo.
O expresso longo tem mais cafeína?
Um pouco, e às vezes nada. A cafeína se dissolve fácil na água e sai logo no começo da extração. Um estudo de 2023 acompanhou o expresso fração por fração: a concentração de cafeína era máxima na primeira fração coletada e depois diminuía de forma exponencial (Schmieder e colegas, Foods, 2023). Cada mililitro a mais traz menos cafeína que o anterior.
A partir dessas frações, os pesquisadores calcularam a cafeína de três bebidas tiradas da mesma dose de 20 g de pó (médias do estudo):
- curto (ristretto), com 20 g de bebida: cerca de 130 mg;
- expresso, com 40 g de bebida: cerca de 183 mg;
- longo, com 60 g de bebida: cerca de 204 mg.
Do curto para o expresso, dobrar a bebida rende cerca de 50 mg a mais. Do expresso para o longo, mais uma porção igual de água rende só cerca de 20 mg. Três vezes mais bebida, bem menos que o triplo de cafeína.
Só um detalhe sobre esses números: eles valem para 20 g de pó, bem acima da quantidade usada num expresso comum (de 7 a 9 g de pó por dose, segundo o padrão do Espresso Italiano Tradizionale, de 2018). Servem para comparar os três formatos entre si, não para somar na conta do seu dia.
Com cápsula, o padrão se repete. No estudo de 2019, com as mesmas cápsulas nos três tamanhos, o curto ficou 15 mg abaixo do expresso, e o longo empatou com ele. Já a cápsula Lungo da Nespresso é outra cápsula, com mais café que a Espresso: as faixas que a marca publica para cada uma estão em quanto de cafeína tem uma cápsula Nespresso. Para comparar as duas, veja cápsula Lungo ou Espresso.
Por que o curto parece mais forte?
Porque o paladar e o corpo não contam a mesma coisa. O paladar sente a concentração: quanto café está dissolvido em cada gole. O corpo soma o total da bebida. A mesma lógica vale na comparação entre um expresso e um café coado.
Pelas médias do estudo de 2023, cada grama de curto tinha cerca de 6,5 mg de cafeína, contra cerca de 4,6 mg no expresso e 3,4 mg no longo (conta nossa: a cafeína de cada bebida dividida pelo peso dela). O curto é o mais concentrado dos três e, ainda assim, o que soma menos cafeína.
O ristretto é denso, encorpado, quase um xarope. Parece um concentrado, e é: um concentrado de sabor, não de dose. O gosto e a conta apontam para lados opostos, e o que o corpo registra é a conta.
Curto, longo ou carioca: o que vem na xícara?
Aqui entra uma pegadinha bem brasileira: o mesmo nome muda de sentido conforme o lugar, e quase ninguém pergunta na hora de pedir.
- Café curto. Na padaria, costuma ser o próprio expresso: “Café curto ou expresso”, resume um glossário de café de padaria publicado pelo Vírgula em 2016. Na cafeteria, pode ser o ristretto.
- Café longo. Pode ser o expresso tirado longo, com mais água passando pelo pó, ou, em alguns lugares, um expresso completado com água quente.
- Café carioca. Costuma ser um expresso completado com água quente (há lugares que põem a água antes do café, e receitas que partem de um café coado). Sabor mais fraco; se a base é um expresso, a cafeína é a mesma: a água quente não passa pelo pó e não extrai mais nada.
- Expresso brasileiro. O mesmo glossário descreve um expresso que enche a xícara quase até a borda. Tirado longo ou completado com água, vale a mesma regra do longo.
Se você quer saber o que vem, pergunte se o longo é “tirado longo” ou “com água”. Para o sabor, muda. Para a cafeína, quase nada: nas medições acima, o expresso tirado longo ficou de zero a cerca de 20 mg acima do normal (os 20 mg no estudo com 20 g de pó), e o completado com água tem exatamente a cafeína do expresso.
O que muda de verdade a cafeína do seu expresso?
Se o tamanho mexe pouco, os ajustes que contam estão em outro lugar:
- O número de doses. Dois expressos somam 140 mg (2 × 70 mg, a referência do CaffIQ). Uma segunda dose dobra a cafeína; ir do curto ao longo, com a mesma dose, fica bem abaixo disso.
- O duplo. Duas doses de pó no mesmo porta-filtro: o CaffIQ conta 140 mg para o Espresso duplo.
- A cafeteria (ou a padaria). A dose de pó e o blend de cada lugar pesam mais que o tamanho. Em 1998, três expressos comprados prontos em cafeterias de Campinas, um de cada marca, tinham de 39,6 a 72,6 mg por xícara de 60 ml (Camargo e Toledo, Ciência e Tecnologia de Alimentos). A tabela brasileira de cafeína publicada em 2022 (BraCaffT) registra de 177 a 380 mg em 100 ml de expresso. E o conilon tem mais cafeína que o arábica, segundo a Embrapa: um blend com conilon tende a ter mais cafeína que um 100% arábica, qualquer que seja o tamanho. O mesmo vale para o cafezinho da padaria, que muda de uma casa para outra.
- O descafeinado, com 3 mg por dose (a referência do CaffIQ), em qualquer formato.
O que não funciona: pedir um carioca achando que é mais leve, ou um ristretto achando que vai tomar bem menos. O carioca não tira nada: você mudou a bebida, não a conta que o corpo faz. O ristretto tira uma parte: 15 mg a menos que o expresso nas cápsulas do estudo de 2019, bem menos que uma dose inteira.
Então, qual pedir?
O que der mais prazer. Ristretto, expresso, longo ou carioca é antes de tudo uma escolha de sabor: os quatro saem da mesma dose de pó, o ristretto fica abaixo, e o longo e o carioca ficam no nível do expresso. Uma segunda dose pesa muito mais que qualquer mudança de tamanho.
Se a ideia é ajustar a cafeína no balcão, conte as doses, não os mililitros. Para o total do dia, veja quantas xícaras de café por dia cabem na conta. A calculadora de cafeína estima quanta cafeína de uma dose de expresso, tomada num certo horário, ainda fica no seu corpo na hora de dormir.
No CaffIQ, o expresso entra como Espresso e o carioca tem item próprio, o Café carioca, ambos com 70 mg por dose. O app registra o que você toma e mostra sua hora limite: o momento em que a próxima xícara começa a pesar na sua noite. A diferença está aí, muito mais que no tamanho do expresso.
No mais, peça do jeito que você gosta e curta seu expresso.
O CaffIQ fornece estimativas gerais, não orientação médica. Para qualquer dúvida de saúde, converse com um profissional de saúde.
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