Cappuccino solúvel tem cafeína? Quanto e por quê
Tem, sim. O cappuccino solúvel, aquele em pó que vem no pote ou no sachê, leva café solúvel na receita, e é dele que vem a cafeína. Numa pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) publicada em 2014, com dez das marcas mais consumidas, o pó tinha de 171 a 291 mg de cafeína por 100 g. Na dose indicada nas embalagens, 20 g (duas colheres de sopa ou um sachê), isso dá cerca de 34 a 58 mg: na faixa de um cafezinho coado servido em xícara de 60 ml. O cappuccino de cafeteria, feito com uma dose de expresso e leite vaporizado, tem 70 mg pela referência do CaffIQ. Já o achocolatado tem muito pouca cafeína, e o café de cevada 100% cevada não tem nenhuma.
| Bebida | Porção | Cafeína |
|---|---|---|
| Cappuccino em pó | sachê de 20 g | cerca de 34 a 58 mg |
| Cappuccino em pó descafeinado | 20 g de pó | muito pouca, não zero |
| Cappuccino de cafeteria | 1 dose de expresso, 180 ml | 70 mg (referência do CaffIQ) |
| Cafezinho coado | xícara de 60 ml | 26 a 50 mg (medições de 1998); cerca de 30 mg pela referência do CaffIQ |
| Café solúvel | 2 g de pó | cerca de 67 mg |
| Café com leite | 200 ml | 12 a 48 mg, conforme a proporção |
| Achocolatado em pó | 20 g de pó | cerca de 3 a 6 mg |
| Achocolatado pronto de caixinha | 200 ml | cerca de 6 mg |
| Café de cevada 100% cevada | qualquer dose | 0 mg |
“Cerca de”: cálculo a partir do teor medido ou, no café coado, da referência do CaffIQ (0,50 mg por ml). Fontes: UFRJ, 2014 (marcas não identificadas); Camargo e Toledo, 1998; tabela brasileira de cafeína de Rocha e colaboradores, 2022. As marcas não publicam esses números.
Por que o cappuccino em pó tem cafeína?
Porque leva café. No Cappuccino 3 Corações Classic e no Nescafé Cappuccino, o café solúvel é o quarto ingrediente da lista, depois do açúcar, do leite em pó integral e da maltodextrina ou do xarope de glicose. No Cappuccino em Pó Tradicional Melitta, é o sexto. A cafeína vem sobretudo desse café; o cacau em pó, mais abaixo na lista, acrescenta um pouco.
Grama por grama, o pó de cappuccino tem cerca de um décimo da cafeína do café solúvel puro (as duas medições são da mesma pesquisa da UFRJ). Mas a dose é dez vezes maior: 20 g de pó no sachê, contra cerca de 2 g de solúvel (uma colher de café) num café preto. O resultado fica na mesma ordem de grandeza.
Os miligramas não aparecem na embalagem porque, no Brasil, o teor de cafeína não é uma informação obrigatória no rótulo dos alimentos.
Quanto muda de uma marca para outra?
Bastante: entre as dez marcas analisadas pela UFRJ, a mais forte tinha cerca de 70% a mais de cafeína que a mais fraca. A pesquisa não identificou as marcas e foi publicada em 2014; de lá para cá, as receitas podem ter mudado. Leia essas faixas como uma ordem de grandeza, não como o teor de um produto específico.
A quantidade de água, por outro lado, não muda a cafeína. Para os mesmos 20 g, o Nescafé indica 90 ml de água ou leite; a 3 Corações, 100 ml; a Melitta, 120 ml. Em todos os casos, a cafeína é a do pó que você colocou: mais água deixa o sabor mais fraco, mas não tira cafeína. Já dois sachês de uma vez dobram a dose.
Cappuccino tem mais cafeína que café?
Depende de qual café. Com cerca de 34 a 58 mg por sachê, o cappuccino em pó fica:
- na faixa de um cafezinho coado: medições brasileiras de 1998, com 14 marcas, encontraram de 26 a 50 mg numa xícara de 60 ml (cerca de 30 mg pela referência do CaffIQ);
- um pouco abaixo de um café solúvel preto feito com 2 g de pó: cerca de 67 mg, já que cada grama tem cerca de 33 mg, segundo uma tabela brasileira de cafeína;
- bem abaixo de uma caneca (300 ml) de café coado: cerca de 150 mg pela referência do CaffIQ e, num cálculo a partir das medições de 1998 (0,43 a 0,84 mg por ml), cerca de 129 a 252 mg, conforme o pó e o preparo.
O cappuccino de cafeteria segue outra lógica. É feito com uma dose de expresso e leite vaporizado, e o leite não muda a cafeína: o que conta é o número de doses. Com uma dose, são 70 mg pela referência do CaffIQ, mas as medições de expresso variam muito.
Na prática, dois sachês no café da manhã somam cerca de 97 mg pela média das medições da UFRJ (cerca de 68 a 116 mg, conforme a marca). Os limites da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) valem por categoria de produto; para o consumo total de um adulto, a referência mais citada é a da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), de 2015: até 400 mg por dia para adultos em boa saúde, exceto gestantes. Os dois sachês ficam em cerca de um quarto disso. Não é muito, mas conta, principalmente se o cappuccino vira o café da tarde ou a bebida da noite. Veja também quantas xícaras de café por dia cabem nessa referência da EFSA.
E o cappuccino descafeinado?
Existe: o Cappuccino Descafeinado da 3 Corações, por exemplo, é feito com café solúvel descafeinado. Mas descafeinado não quer dizer sem cafeína. No Brasil, a Anvisa permite até 0,3% de cafeína no café solúvel descafeinado (RDC nº 716/2022). Uma xícara de 150 ml de solúvel descafeinado tem cerca de 2 mg, segundo a mesma tabela brasileira. É quase nada, mas não é zero.
Achocolatado tem cafeína?
Muito pouca, porque não leva café. A lista de ingredientes do Nescau começa com açúcar e cacau em pó, e a marca indica 20 g (duas colheres de sopa) em 200 ml de leite. A cafeína vem só do cacau: nas 13 marcas de achocolatado em pó da mesma pesquisa da UFRJ (2014), o pó tinha de 14,8 a 31,4 mg por 100 g. Um achocolatado em pó (como Nescau ou Toddy) fica, então, em cerca de 3 a 6 mg por 20 g, e um achocolatado pronto de caixinha (200 ml), em cerca de 6 mg. É cerca de um décimo de um sachê de cappuccino.
O cacau também tem teobromina, da mesma família da cafeína (as metilxantinas): no achocolatado em pó, a UFRJ mediu quase 12 vezes mais teobromina que cafeína. Neste artigo, como no CaffIQ, só a cafeína entra na conta.
Atenção a um detalhe: cacau em pó ou chocolate em pó não é achocolatado. Na mesma pesquisa, o cacau e o chocolate em pó tinham em média 185,5 mg de cafeína por 100 g, contra 24,5 mg no achocolatado.
Se o cappuccino ou o achocolatado faz parte do lanche das crianças, converse com o pediatra.
Café de cevada tem cafeína?
Não, quando é 100% cevada. A cevada é um cereal, e a Anvisa define a “cevada torrada” à parte do café, como o grão da cevada “dessecado e submetido à torrefação” (RDC nº 716/2022). A cafeína é produzida por mais de 100 espécies de plantas e funciona como uma defesa química contra patógenos e herbívoros. O café, o chá, o cacau, a erva-mate e o guaraná estão entre elas; a cevada, não.
A Cevada Torrada e Moída Superbom e a Cevada Solúvel em Pó Corsetti, por exemplo, só levam cevada na lista de ingredientes e, segundo as próprias marcas, não têm cafeína. É zero mesmo, não “pouca”, ao contrário do descafeinado, que ainda tem alguns miligramas.
Se você misturar cevada e café em casa, a cafeína acompanha a parte de café: metade café, mais ou menos metade da cafeína. Se encontrar uma mistura pronta de cevada e café, vale a mesma regra: confira a lista.
Como saber pelo rótulo se tem cafeína?
- Procure a palavra “café” na lista de ingredientes (café solúvel, café torrado, extrato de café) e também as outras fontes de cafeína: cacau, guaraná, erva-mate, chá preto ou chá verde.
- Veja a posição. No Brasil, a lista segue a ordem decrescente de proporção (Anvisa, RDC nº 727/2022): quanto mais perto do começo, maior a quantidade.
- Não se guie pelo nome do produto. “Cappuccino”, “cevada” ou “chocolate” em destaque na embalagem não dizem nada sobre a dose; só a lista de ingredientes diz.
Cappuccino, achocolatado ou café de cevada: qual tem cafeína?
O cappuccino em pó tem mais ou menos a cafeína de um cafezinho; o achocolatado, quase nada; o café de cevada 100% cevada, zero. As marcas não escondem nada: o café está na lista de ingredientes. O que confunde é o nome: “cappuccino” lembra leite, açúcar e chocolate, e fica fácil esquecer que tem café dentro. Se quiser comparar com o chá preto, o chimarrão ou o energético, veja a quantidade de cafeína nas bebidas. Para ver como a cafeína de uma bebida cai hora a hora até a noite, experimente a calculadora de cafeína.
No CaffIQ, dá para contar o cappuccino pelo que ele tem, não pelo que o nome sugere. Como o app não tem uma opção de cappuccino em pó, use “Personalizado” (na seção “Outros”) e informe cerca de 48 mg por sachê de 20 g, a média das medições da UFRJ. A opção “Cappuccino” do app, feita com uma dose de expresso (70 mg), superestimaria a cafeína do sachê. Para quem toma dois no café da manhã, essa diferença aparece na conta do fim do dia.
O CaffIQ fornece estimativas gerais, não orientação médica. Para qualquer dúvida de saúde, converse com um profissional de saúde.
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