Energético ou café: qual tem mais cafeína?
Na comparação por porção, o energético costuma levar a melhor. Uma lata de 250 ml tem cerca de 80 mg de cafeína (a referência do CaffIQ; o Red Bull tem 80 mg, segundo a marca): mais que uma xícara de cafezinho (50 ml) de café coado, com cerca de 25 mg pela mesma referência, e perto de um expresso de 30 ml (70 mg). No latão, a lata de 473 ml, são 151 mg no Red Bull e cerca de 154 mg no Monster: o equivalente a cerca de dois expressos ou seis cafezinhos.
Por mililitro, a conta muda. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) limita o energético a 35 mg de cafeína a cada 100 ml. O expresso tem bem mais que isso no mesmo volume, e o café coado pode ficar abaixo, empatar ou passar, conforme o pó e o preparo. No fim das contas, o que separa as duas bebidas é outra coisa: o tamanho da embalagem, o açúcar e a facilidade de abrir mais uma lata.
Uma lata ou um café para aguentar a tarde? Aquela moleza depois do almoço costuma ter outras causas também, e a cafeína pode mantê-la → Sono depois do almoço: de onde vem
Energético ou café: qual tem mais cafeína por porção?
| Bebida e porção | Cafeína | Num copo de 200 ml | Fonte |
|---|---|---|---|
| Xícara de cafezinho (50 ml) de café coado | cerca de 25 mg | — | referência do CaffIQ; medições brasileiras: cerca de 6 a 27 mg (tabela de 2022) e cerca de 21 a 42 mg (estudo de 1998, recalculado de xícaras de 60 ml) |
| Expresso (30 ml) | 70 mg | — | referência do CaffIQ |
| Red Bull, lata de 250 ml | 80 mg | cerca de 64 mg | a marca |
| Copo americano (190 ml) de café coado | cerca de 95 mg | — | referência do CaffIQ |
| Caneca (300 ml) de café coado | cerca de 150 mg | — | referência do CaffIQ |
| Red Bull, lata de 473 ml | 151 mg | cerca de 64 mg | o rótulo |
| Monster tradicional, lata de 473 ml | cerca de 154 mg | 65 mg | o rótulo |
| Baly Tradicional, garrafa de 2 L inteira (não é uma porção) | cerca de 480 mg | 48 mg | o rótulo |
Fontes consultadas em 28 de setembro de 2026: site brasileiro da Red Bull (lata de 250 ml) e rótulos transcritos por varejistas brasileiros (demais latas e garrafa). Cafés pela referência do CaffIQ (0,50 mg por ml de coado, 70 mg por expresso). Coluna de 200 ml: nosso cálculo, exceto Monster e Baly, que vêm do rótulo. O rótulo da sua lata é a referência.
Do lado do café, só a caneca de coado chega perto do latão. Os números de cada formato estão em quanto de cafeína tem um Red Bull e em quanto de cafeína tem um Monster.
E por mililitro, quem ganha?
A cada 100 ml, a história é outra:
- Energético: no máximo 35 mg, pela RDC nº 719/2022 da Anvisa. O Red Bull tem 32 mg (80 mg em 250 ml, segundo a marca); pelos rótulos, o Monster tem cerca de 32,5 mg e o Baly Tradicional, 24 mg.
- Expresso: cerca de 233 mg, pela referência do CaffIQ (70 mg em 30 ml). As medições variam muito, mas as três amostras de um estudo brasileiro de 1998 ficaram todas acima do teto dos energéticos.
- Café coado: depende. A referência do CaffIQ é de 50 mg; o estudo de 1998 mediu de 43 a 84 mg em 14 marcas; uma tabela brasileira de 2022 registra de 11 a 54 mg, com média de 30 mg, a mesma que essa tabela atribui aos energéticos.
O energético “ganha”, portanto, pelo tamanho da embalagem, não pela força. Para comparar só os dois cafés, veja expresso ou café coado.
O guaraná do energético esconde cafeína?
Pode esconder um pouco, e nem todo rótulo deixa isso claro. O guaraná é, ele mesmo, uma fonte de cafeína: a planta é nativa da Amazônia brasileira, e a semente tem de 3,5% a 4% de cafeína, mais que o dobro do grão de café (de 1% a 2%), segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A “guaranina” de alguns rótulos é a própria cafeína, a mesma molécula.
A norma da Anvisa limita a cafeína que o energético contém e obriga o rótulo a declarar a quantidade por porção. Mas cada rótulo mostra de um jeito de onde ela vem. Três exemplos:
- Fusion: “cafeína natural do guaraná – guaranina”, 87,5 mg a cada 250 ml, ou 35 mg a cada 100 ml, bem no teto (segundo a ficha de um distribuidor da Ambev). Aqui, o número declarado é o do próprio guaraná.
- Monster tradicional: cafeína (65 mg a cada 200 ml) e, à parte, extrato de guaraná (8,4 mg a cada 200 ml). O rótulo não diz se os 65 mg já incluem a cafeína do extrato; se não incluírem, seriam no máximo 8,4 mg a mais.
- Baly Tradicional: extrato de guaraná e cafeína, com 48 mg de cafeína a cada 200 ml; o rótulo não informa a quantidade de extrato.
Já o refrigerante de guaraná tem pouquíssima cafeína, que vem do próprio guaraná: cerca de 4 mg numa lata de 350 ml, segundo a tabela brasileira de 2022.
O que muda, além da cafeína?
- O açúcar. Segundo a marca, a lata de 250 ml do Red Bull tem 27 g de açúcares; o rótulo do Monster tradicional declara 23 g a cada 200 ml, cerca de 54 g no latão. No café, o açúcar é escolha sua; na lata, ele já vem na receita. Veja também o que explica a queda depois do efeito da cafeína.
- A taurina e os outros ingredientes. Pesam pouco na conta. Num parecer de 2015, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) concluiu que, nas quantidades em que costumam aparecer nos energéticos, os outros ingredientes não mudam a avaliação dela sobre doses únicas de até 200 mg de cafeína.
- O jeito de tomar. Uma lata gelada acaba em poucos minutos, e é fácil abrir a segunda. Mas um estudo de 2016 com 24 adultos, financiado por uma associação da indústria de bebidas dos Estados Unidos, comparou 160 mg de cafeína em café solúvel, quente ou gelado, e em energético sem açúcar servido gelado, tomados rápido ou devagar, e encontrou absorção parecida em todos os casos. O que muda é o número de latas, não a velocidade com que a cafeína chega ao sangue.
E o pré-treino e as cápsulas de cafeína?
Um energético pronto para beber não pode ser muito concentrado: com o teto de 35 mg a cada 100 ml, mesmo um frasco pequeno, de 60 ml, teria no máximo 21 mg (nosso cálculo). No Brasil, a cafeína concentrada é vendida como suplemento alimentar, no pré-treino e nas cápsulas.
Para esses produtos, a Instrução Normativa nº 28/2018 da Anvisa permite até 200 mg de cafeína na recomendação diária, para adultos de 19 anos ou mais, e não a autoriza para menores de 19 anos, gestantes e lactantes. O rótulo precisa trazer o aviso: “Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças”. Os 400 mg por dia da norma valem só para suplementos de atletas, com dose individual de até 200 mg.
A norma diz o que é permitido, não o que cada produto à venda contém. E essas doses entram na conta do dia sem que você perceba: confira o rótulo e conte a dose junto com seus cafés.
Quantos energéticos por dia?
Os limites da Anvisa valem por categoria de produto; para o consumo total de um adulto, a referência mais citada é a da EFSA: até 200 mg de uma vez (cerca de 3 mg por quilo de peso) e até 400 mg ao longo do dia, para adultos saudáveis. Na prática:
- Um latão de Red Bull (151 mg) mais dois cafezinhos (cerca de 50 mg pela referência do CaffIQ) somam cerca de 200 mg.
- A garrafa de dois litros de Baly, tomada inteira, soma cerca de 480 mg: sozinha, passa da referência do dia.
A conta é do dia inteiro: energéticos, cafés e refrigerantes entram na mesma soma. Veja quantas xícaras de café por dia cabem nessa conta. O rótulo do energético também traz dois avisos obrigatórios, em negrito: “Crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades: consultar o médico antes de consumir o produto” e “Não é recomendado o consumo com bebida alcoólica”. É texto da embalagem, não conselho do CaffIQ. Sobre a venda para menores, veja se menor de idade pode comprar energético. Em caso de gravidez ou problema cardíaco, converse com um profissional de saúde.
Energético à noite tira o sono como café?
Do mesmo jeito que o café, conforme a dose: a molécula é a mesma, e o estudo de 2016 encontrou exposição parecida no café e no energético sem açúcar. Um latão equivale a cerca de dois expressos e, segundo a EFSA, 100 mg perto da hora de dormir já podem afetar a duração e o padrão do sono de alguns adultos. O raciocínio do horário limite para tomar café vale também para a lata.
Energético ou café: como escolher sem abrir mão de nenhum dos dois?
O café puro traz a cafeína sem o açúcar da receita; a versão sem açúcar do energético tira o açúcar, não a cafeína (os números do Red Bull sem açúcar estão em quanto de cafeína tem um Red Bull). Nos dois casos, o que pesa é o tamanho, o número de latas ou xícaras e o horário da última. Se você gosta do energético, dá para continuar com ele: basta contá-lo junto com seus cafés. E, se a dúvida for entre o café e o matcha, veja qual dos dois tem mais cafeína.
Como o CaffIQ conta o energético?
No CaffIQ, o Energético é calculado pelo volume real da lata (250, 355 ou 473 ml não contam igual: o latão dá cerca de 151 mg) e somado aos seus cafés do dia. Pré-treino e cápsulas entram como Suplemento de cafeína, com a dose do rótulo. Assim, o CaffIQ ajuda você a ver em que ponto está antes da próxima lata ou do próximo café. Para comparar outras bebidas, use a calculadora de cafeína. Ou veja todas lado a lado na tabela com a quantidade de cafeína nas bebidas.
O CaffIQ fornece estimativas gerais, não orientação médica. Para qualquer dúvida de saúde, converse com um profissional de saúde.
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